lunes, 19 de enero de 2015

Bola de Ouro: Porque deve ganhar Cristiano Ronaldo?

Muita polémica tem havido nos últimos anos relativamente aos critérios - pouco claros e por vezes aleatórios -que a FIFA tem adotado. Há quem questione se este prémio individual premeia o jogador mais simpático ou o atleta com o melhor desempenho nesse ano civil. 

A verdade é que o nosso compatriota Cristiano Ronaldo tem sido a principal vítima dos interesses da FIFA nestas decisões. A Bola de Ouro tem perdido cada vez mais credibilidade nos últimos anos. Os vários escândalos nas votações exemplificam muito bem a jogada de bastidores organizada pelo órgão máximo do futebol mundial.
Basta lembrar a história de Thiago Silva e Tomas Rosicky que votaram em Balotelli e o voto foi atribuído a Lionel Messi. Portanto, para Cristiano Ronaldo (ou qualquer outro jogador da elite do futebol mundial) conquistar este prémio, a diferença de desempenho para Messi tem de ser abismal. É o que se tem verificado ultimamente.

Esta problemática poderia ser minimizada se a eleição decorresse de uma forma mais objetiva do que subjetiva. Mas infelizmente existe alguma relutância por parte da FIFA em querer uma maior objetividade tanto dentro das quatro linhas como fora delas. A minha sugestão passaria por dividir em parâmetros de avaliação, tanto objetivos como subjetivos, o desempenho desportivo dos jogadores do ano civil. Os títulos coletivos contariam 20%, o número de golos marcados 30% (para médios e avançados), o número de assistências 10%, número de jogos sem sofrer golos (para defesas e guarda-redes) 20% e número de jogos sem sofrer 2 ou mais golos 10%. A popularidade nas redes sociais e o mediatismo obtidos no período valeriam também 5%. Os restantes 35% dependeriam da votação dos capitães de seleções, selecionadores e jornalistas, dando um lado também subjetivo à votação. Os parâmetros objetivos em Mundiais, Europeus e Liga dos Campeões valem por 3, as restantes competições nacionais dos 5 principais países, assim como a Liga Europa e Taça Libertadores valem por 2, e as demais valem apenas por um.

Inicialmente escolher-se-ia os 50 candidatos com base nos parâmetros explicados acima e depois a decisão final pertenceria aos votantes que teriam um peso de 35%. Isto acabaria com qualquer tipo de favores, prémios de carreira, interesses, entre outros. Além disso, só estão nomeados para a Bola de Ouro jogadores de certas equipas que sistematicamente se repetem, à exceção de uma ou outra, mesmo que o desempenho desses clubes não seja sempre espetacular. Reduzir a atribuição de um prémio individual desta relevância à preferência de algumas pessoas é favorecer o facciosismo e a subjetividade. Seguindo este modelo de avaliação, o vencedor da Bola de Ouro 2014 teria que ser Cristiano Ronaldo, porque levaria uma enorme vantagem nos 65% dos critérios de avaliação da época desportiva por força dos títulos colectivos conquistados e por ter sido o melhor marcador na Liga Espanhola e na Liga dos Campeões. Seria pouco provável que o título individual mais relevante da modalidade lhe escapasse por causa da votação.

In: Jornal Aponte (texto publicado na véspera da consagração de Cristiano Ronaldo)

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