viernes, 12 de junio de 2015

Reduzir o número de equipas beneficia o futebol português?

A Comissão Permanente de Competições da Liga de Clubes estará a ponderar reduzir o número de equipas nos campeonatos profissionais. A proposta analisada prevê 16 na Primeira e 20 na Segunda. Avanço ou retrocesso? Isto beneficia quem? Eis as questões levantadas.

Aumentar a competitividade é o argumento frequentemente usado para justificar esta medida, mas, se observarmos as edições da Primeira Liga com 16 clubes, concluímos que não é necessariamente o caso. Além de a maior competitividade não se verificar com a redução, são retiradas receitas de Primeira Liga (essencialmente bilheteira, patrocínio e direitos televisivos) todos os anos a pelo menos 2 clubes.

Se olharmos ao número de pontos do campeão nacional nas edições com 16 equipas, vemos 69, 69, 70, 76, 84, 75, 78 e 74 entre 2006 e 2014. Dá, em média, 74,375 pontos em 90 possíveis, o que equivale a 82,64 % de aproveitamento. Na última época (18 equipas), o campeão conseguiu, num campeonato polémico (o célebre "colinho" terá beneficiado o Benfica), obter 85 pontos em 102 possíveis (83,33 % de aproveitamento).

Estas contas provam claramente que o aproveitamento do campeão da Liga com 18 clubes foi similar ao do campeão num campeonato normal de 16 equipas. Ou seja, sacrificar 2 (ou mais) clubes não aumenta a competitividade e priva-os de receitas e da montra mundial da Primeira Liga, alimentando ainda mais o fosso que existe entre os grandes e os pequenos.

Para melhorar a qualidade da competição, é necessário aumentar o número de equipas na Primeira Liga com mais descidas e subidas. Deste modo, aumenta-se a competitividade desta competição e motiva-se os clubes da Segunda a lutarem pela subida. Há vários modelos de alargamento possíveis, mas aquele que já propusemos noutra ocasião no Barboville Blog é aquele que aproveita o maior número de potencialidades do nosso futebol e das condições do nosso país.

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