martes, 29 de diciembre de 2015

O que significam estes 457,5 milhões trocado por miúdos?


FC Porto celebrou, na madrugada do passado sábado para domingo, o maior negócio da história do futebol português com a Altice / PT. O acordo será válido por 10 épocas e irá render 457,5 milhões de euros durante esse período. Numa altura em que a centralização dos direitos da Primeira Liga passaram à história, este compromisso abrange igualmente a questão publicitária:


1. Contrato entre julho 2018 e junho 2028 para a cedência de 170 jogos no Dragão (17 por época)
2. Direito de transmissão do Porto Canal de janeiro 2016 a junho 2028 (possibilidade de exclusividade MEO?)
3. Patrocinador principal do clube de janeiro 2016 a junho 2023

O negócio rende aos cofres portistas, em média, cerca de 45,75 milhões por ano. Se fosse repartido pelas 3 partes supra-enumeradas, seriam mais de 15 milhões por cada um destes parâmetros. No entanto, não será esse o caso. O mercado publicitário permite uma receita para uma marca como o FC Porto que se situará entre os 7 e os 12 milhões de euros / ano para o caso do patrocinador oficial. Tampouco se prevê um investimento avultado no direito de transmitir o Porto Canal. Será, no máximo, 2 a 3 milhões por cada temporada.

Portanto, depreende-se que a verba que a PT ofereceu apenas pelos direitos de transmissão dos jogos no Dragão para a Liga nunca será inferior a 30 milhões de euros. Teremos de aguardar pelos desenvolvimentos deste negócio histórico, mas também já se especula que a PT poderá avançar com um novo canal de desporto que fará concorrência à Sport TV.

viernes, 11 de diciembre de 2015

Depois do fracasso europeu, Lopetegui deve continuar?

Fonte: UEFA
Tudo se conjugou para que 4 jogos bons do FC Porto (suficientes para vencer) não fossem suficientes para seguir em frente na Liga dos Campeões que deve ser sempre o principal objetivo para um clube desta dimensão. O fracasso começou com o golo irregular do Dínamo nos descontos em Kiev e culminou nos dois últimos jogos, ambos abaixo das expectativas. Com arbitragens corretas, o FC Porto teria passado, mas este Lopetegui à altura das adversidade e do clube que representa?

Por muito boas que sejam as estatísticas do treinador basco (como analisamos num dos artigos mais recentes), não há volta a dar. Lopetegui tem ideias de jogo muito interessantes, constrói equipas organizadas e sólidas, mas é demasiado persistente em certas opções e, sobretudo, não tem noção da dimensão do clube que representa.

Observando apenas os números, é difícil perceber como Lopetegui é muito mais "odiado" que Jesualdo Ferreira ou Vítor Pereira, sendo colocado, por alguns, ao nível de Víctor Fernández ou Paulo Fonseca. Por isso, a impaciência com Lopetegui só pode ter muito a ver com a maneira como rompeu com a identidade do clube. 

O tratamento inaceitável que teve com dois ídolos como Josué e Quaresma, a aposta cega em jogadores emprestados sem opção de compra (Casemiro e Óliver, a contratação de vários espanhóis de segunda ou terceira linha (Adrián, Bueno, Campaña, José Ángel, Marcano e Andrés) e a rotatividade foram opções bastante ousadas. Constituem demasiados motivos para uma massa adepta, que viu o clube atingir o topo seguindo um caminho totalmente diferente, não dar muita margem de erro.

Só assim é que se compreende como um treinador é muito criticado logo após o primeiro desaire e como a paciência se esgota totalmente após a segunda derrota em todas as competições. O que agrava ainda mais é a maneira como estas derrotas foram consentidas. Uma vez mais, Lopetegui não respeitou a grandeza do clube e jogou sem personalidade nestes dois jogos completamente decisivos. Tal como na época passada, Lopetegui falhou essencialmente nos jogos decisivos. Raramente conseguiu dar a volta a situações adversas e nos jogos decisivos então tem metido os pés pelas mãos. 

É, por isso, que Julen Lopetegui, um técnico com uma capacidade de recrutamento de grandes jogadores e com ideias de jogo muito interessantes, está condenado à saída do comando técnico dos portistas, mantendo a tradição de fracasso de treinadores espanhóis. É uma questão de tempo...

sábado, 5 de diciembre de 2015

Proença não assume derrota. Que trunfos pode ter a favor da centralização?

Fonte: Banif

O acordo milionário entre o Benfica e a NOS, celebrado esta quarta-feira, deitou por terra a centralização dos direitos televisivos da Primeira Liga, segundo a imprensa nacional. No entanto, o comunicado da Liga não assume para já a derrota numa questão que era uma das principais bandeiras do presidente Pedro Proença. Entrando no caminho da especulação, que trunfos poderá ter? 

A partir do momento em que a Liga de Clubes não detém os direitos de transmissão dos jogos — como é o caso —, basta que um clube faça um negócio paralelo para que a centralização vá por água abaixo. Portanto, partindo do princípio que a Primeira Liga é apenas uma competição, teremos mesmo que esquecer a centralização dos direitos televisivos.

No entanto, existem sempre possibilidades para tudo e — ainda que pareça absurdo — a Primeira Liga pode perfeitamente ter duas competições. Seria o caminho possível de Pedro Proença para a centralização. Por outras palavras, os clubes que fechassem negócio com um canal ou uma operadora formavam uma competição e os restantes formariam a tal Primeira Liga com centralização dos direitos televisivos. A questão dos apuramentos para a UEFA e as descidas poderiam ser resolvidos com liguilhas no fim dessas competições.

Parece naturalmente absurdo por ser inédito, mas também somos a única liga no top-10 do Ranking da UEFA que não tem os direitos televisivos centralizados. Esta possibilidade pode ser um trunfo para o atual presidente da Liga que vê a sua posição bastante fragilizada depois do negócio Benfica/NOS. Nem que seja como ameaça ou até bluff para o Benfica ceder na questão da centralização que tanto sucesso tem gerado nos outros campeonatos europeus. 

Vamos supor que FC Porto, Braga e Sporting não assinam nenhum acordo com uma operadora ou um canal, a força do Pedro Proença seria significativa no sentido de fazer o Benfica ceder na questão da centralização dos direitos televisivos. Havendo as tais duas competições, o Benfica teria de construir a sua própria competição (chamo-lhe Liga NOS), mas dificilmente conseguiria convidar equipas que oferecessem competitividade à mesma. Ainda que conseguisse algumas da Primeira Liga...

Num cenário muito mais pessimista (e pouco provável), existe a possibilidade de FC Porto, Braga e Sporting dizerem não à centralização, chegando a acordo com alguma entidade. Nesse caso, a Liga de Clubes teria poucos trunfos para fazer face a esta questão, porque a tal outra competição careceria de alguma qualidade para poder valorizar-se a nível internacional. Só perdendo todas as grandes potências é que a Liga não teria interesse numa centralização dos direitos televisivos.

Uma simulação de um cenário com as tais duas competições (uma sem e outra com centralização):

Liga NOS: Benfica, Setúbal, Feirense, Nacional, Chaves, Arouca, Gil Vicente, Farense, Portimonense e Penafiel (distribuição não equitativa) (bolo de 58 milhões: 40 para o Benfica e, em média, 2 milhões para os outros)

Primeira Liga: FC Porto, Sporting, Braga, Marítimo, Paços, Rio Ave, Estoril, Boavista, Belenenses e Vitória de Guimarães (distribuição equitativa: ou todos ganham o mesmo ou a diferença entre o mais rico e o mais pobre é de 2 para 1) (bolo inicial de 200 milhões com aumento exponencial nos anos seguintes: em média, 20 milhões para cada clube)

jueves, 3 de diciembre de 2015

Negócio de 400 milhões com a NOS não é bom para o futebol português... nem para o Benfica!

Fonte: Desporto Sapo

O "pensar pequeno" português é, por vezes, difícil de entender. O negócio de 40 milhões/época, acordado entre Benfica e NOS, para a venda dos direitos televisivos é espetacular para o futebol português e para o próprio Benfica? 


Claro que não! Em primeiro lugar, devemos analisar os contornos deste negócio. Ainda não existe nenhuma confirmação oficial, mas sabe-se que os 40 milhões não apenas relativos aos direitos de transmissão dos jogos do Benfica em casa. O Benfica receberá 15 milhões pelo exclusivo BTV na plataforma NOS e 25 pelos próprios direitos. Agora, a minha pergunta é a seguinte: O bicampeão do quinto campeonato mais forte do mundo comprometer-se a ganhar 25 milhões por ano pelos próprios direitos é algo positivo? Se olharmos para as outras ligas de topo, facilmente percebemos que não. Basta ver as receitas da Segunda Liga Inglesa. O campeão recebe cerca de 50 milhões de euros e, com o novo acordo assinado recentemente, estes valores subirão nos próximos anos.

Em segundo lugar, questiono-me como é que um negócio paralelo com um contrato de 10 anos pode ser positivo para o futebol português. A NOS vai oferecer outros 40/ano para ao FC Porto, outros 40 para o Sporting, pelo menos metade desse valor para o Braga e por aí fora? Fala-se numa cláusula em que FC Porto e Sporting receberiam até 80% desse valor, mas alguém acredita que estes clubes vão concordar com isso? Graças a este negócio da China, a vontade de Pedro Proença de centralizar os direitos cai por terra e continuamos a assistir de braços cruzados à luta de poderes no futebol português, rejeitando, por completo, a distribuição equitativa por todos os clubes.

Publico este texto na sequência do último Mais Bastidores — até conta com dois comentadores que aprecio bastante —, em que este negócio foi muito elogiado.

Arquívo